Minha cadelinha mais velha, Eliza Day, está cega. Os anos se passaram, ela já tem 13, e a dificuldade inicial para enxergar agora se transformou em cegueira total. Tenho dó. Embora ela esteja na mesma casa durante quase toda a sua vida (eu a retirei das ruas quando tinha, provavelmente, pouco mais de um ano) e a disposição dos móveis não tenha mudado tanto, Eliza Day está desorientada. Quando tem sede, ela desce do seu primeiro sofá preferido e não sabe para que lado ir, em busca do pote de água. Se ouve minha voz e quer ficar perto de mim, desce do seu segundo sofá preferido e não sabe que caminho tomar para chegar até mim (eu, que obviamente estou sentada no chão, pois os sofás são dela).
Conversei com o veterinário, fiz uma pesquisa na internet e acho que posso ajudá-la a voltar a se mover pela casa, sem trombar com cadeiras ou bater a cabeça na parede. A cegueira em animais idosos é relativamente comum e há tempos já se sabe quais as “técnicas” que seus donos podem empregar para que os bichinhos tenham uma boa qualidade de vida, apesar do problema.
O que me aflige, no entanto, é a constatação de que Eliza Day está velhinha. De que sua partida não está mais muito distante.
Aqueles que me conhecem pessoalmente sabem da minha paixão por cachorros. É claro que sempre há um bobo qualquer que me sugere trocar os meus cinco cães por um menor abandonado, como se tudo fosse a mesma coisa. Mas deixemos de lado esse tipo de idiotice.Prudence, Costanza, Eliza Day, Marta e Thomas são meus grandes amores. E essa forma de amor me foi deixada por meu pai. Herdei dele, isso é fato.
Das poucas lembranças que tenho do meu pai (ele morreu quando eu tinha sete anos), quase sempre nos vejo com cachorros. Lembro bem de dois deles, o Capitão e o Piloto. Um, o Piloto, nós encontramos morto quando voltamos do enterro do meu pai. Coincidência? Talvez. Mas essa é outra história.
Eu gosto de cachorros porque gosto de cachorros. Amo meus cães porque amo meus cães. Mas também porque é um pouco do meu pai que sobrevive em mim. A partida de um deles é a tristeza da partida, mas é também a partida do Piloto.
Mas Eliza Day ainda está aqui, ao meu lado, me cheirando e me cutucando, tentando me convencer a deitar com ela no primeiro sofá de sua preferência. Acho que vou.
E para quem não sabe a razão do nome dela – Eliza Day – , explico: eu assisti a um show do Nick Cave em Londres, em 1997, e, entre outras músicas, uma delas teve uma interpretação maravilhosa, a “Where the wild roses grow”. De volta ao Brasil, quando trouxe Eliza Day para casa, era essa a música que tocava no carro de uma amiga. Eis o vídeo da música:

Ah, Rita, essa “nova fase” da vida de Elisa Day nao deve ser facil – para ambas -, mas graças a Deus voce eh quem você eh e, para sorte dela, Elisa, voce sempre estará ao seu lado, ajudando-a a se encontrar nesse mundo tao novo para ela… Lembre-se que muitas pessoas nao sao capazes de ajudar os próprios caes nesse momento. A Elisa eh uma cadelinha de sorte! Beijos, Andrea
Comentário por andreacabanas — julho 30, 2010 @ 11:30 pm
Oi, querida! Fiquei muito chateada quando me dei conta da cegueira, mas já passou. Agora estou tentando ajudá-la. E como ela é espertíssima, está dando certo. O único problema é quando ela pisa no rabo da Costanza – aí preciso ficar esperta ou sai briga (rs). Mas vamos caminhando.
O Augusto recebeu meu e-mail de parabéns?
Beijos!
Comentário por ritacmachado — agosto 2, 2010 @ 11:44 am
Haha, agora eh fazer a Constanza entender que a elisa esta velhinha, haha! Ele recebeu sim, mas sabe como eh, desde entao ele vive falando “preciso responder os emails de parabens, preciso responder os emails de parabens…” e por ai vai. Agradecer por ele de antemão vale? Bjs
Comentário por Andrea — agosto 3, 2010 @ 7:56 am
Vale, sim. É que fiquei em dúvida se ele havia recebido a mensagem ou não. Já que recebeu, beleza.
Comentário por ritacmachado — agosto 5, 2010 @ 8:00 pm